Entenda como aplicar a criptografia de forma estratégica para proteger dados críticos, atender regulações e manter a fluidez operacional.
A criptografia é uma das técnicas mais antigas e, ao mesmo tempo, mais modernas da segurança da informação. Se antes era usada apenas em comunicações militares, hoje está presente em quase tudo: desde as mensagens trocadas em aplicativos até os dados que circulam em sistemas críticos de grandes empresas.
Mas um dos maiores desafios que líderes enfrentam é equilibrar segurança com eficiência. Afinal, como proteger dados sensíveis sem travar o negócio? É sobre isso que falaremos nesse blog.
O que é criptografia e por que ela é essencial
A criptografia é o processo de codificar informações para que apenas usuários autorizados possam acessá-las. É uma das defesas mais eficazes contra vazamentos, pois mesmo que os dados sejam interceptados, permanecem ilegíveis sem a chave correta.
Segundo o relatório relatório IBM Cost of a Data Breach 2024, empresas que utilizam criptografia de forma abrangente reduzem em até US$ 1,2 milhão o custo médio de um incidente de vazamento.
Mais do que uma camada técnica, a criptografia é hoje um requisito de resiliência digital e conformidade regulatória, essencial para atender normas como LGPD, GDPR e ISO 27001.
Criptografia como fator estratégico
A criptografia moderna precisa equilibrar segurança, performance e aplicabilidade. Ela deve ser vista como um habilitador de confiança e não como uma barreira.
Quando bem implementada, garante:
- Proteção de dados em repouso: informações armazenadas em bancos de dados, servidores ou dispositivos móveis.
- Proteção de dados em trânsito: comunicações seguras via VPNs, HTTPS e protocolos robustos.
- Autenticidade e integridade: assegura que os dados não foram adulterados.
- Compliance e auditoria contínua: facilita a prestação de contas às autoridades regulatórias.
As novas fronteiras da criptografia
O avanço das tecnologias de proteção de dados trouxe novas abordagens que conciliam segurança e eficiência e agora olhamos para o futuro da criptografia.
Segundo o relatório “Quantum threats loom in Gartner’s 2023 Hype Cycle for Data Security” da VentureBeat, a Gartner adicionou este ano tecnologias como crypto-agility, post-quantum cryptography (PQC) e quantum key distribution (QKD) para preparar organizações contra ataques baseados em computação quântica.
Crypto-agility
Crypto-agility é a capacidade de substituir algoritmos e chaves criptográficas por versões resistentes a ataques quânticos de modo ágil e transparente. Segundo a Gartner, isso permitirá a troca de algoritmos vulneráveis por novas versões mais seguras à medida que a computação quântica avança.
Na prática, isso significa que uma empresa deve já mapear os algoritmos em uso, controlar onde as chaves residem, monitorar dependências e garantir que a arquitetura permita substituições sem reescrever aplicações inteiras.
Post-Quantum Cryptography (PQC)
PQC refere-se a algoritmos que resistem a ataques de computadores quânticos, como criptografias baseadas em lattice (ex: CRYSTALS-Kyber, Dilithium) ou outras abordagens emergentes. A Gartner estima que algoritmos de criptografia assimétrica clássica (RSA, ECC) podem tornar-se inseguros por volta de 2029-2034.
Para líderes de segurança, isso significa pensar desde já em roadmap de migração — “harvest-now, decrypt-later” (coletar agora para descriptografar depois, quando o adversário tiver poder quântico) já é uma realidade investigada.
Quantum Key Distribution (QKD)
QKD é um mecanismo que usa princípios da mecânica quântica (como entrelaçamento de fótons) para distribuir chaves criptográficas de forma à prova de interceptação. Qualquer interferência altera o estado dos fótons e se torna detectável. Embora hoje ainda seja uma tecnologia de nicho, a Gartner considera sua adoção relevante para proteção de dados de alta sensibilidade, como infraestruturas críticas.
O que isso significa para a sua estratégia de criptografia?
- Comece inventariando onde e como os algoritmos são usados na sua organização. Esse é o primeiro passo para crypto-agility.
- Priorize sistemas críticos de longa duração (arquivos sensíveis, propriedade intelectual, dados regulados) para migração para PQC.
- Adote arquitetura que permita troca de algoritmos sem impacto extensivo em aplicações. É aqui que a visibilidade e governança importam.
- Monitore a evolução do cenário quântico (não apenas hype, mas roadmap técnico) e alinhe com auditoria e compliance. A negligência nesta vertente já afeta quase metade das organizações: estudo recente apontou que 48% das empresas ainda não estão preparadas para ameaças quânticas.
Novas abordagens para uma criptografia mais eficiente
A evolução das ameaças e a complexidade dos ambientes corporativos exigem formas mais flexíveis e inteligentes de aplicar criptografia, sem comprometer a performance ou a compatibilidade dos sistemas.
Duas das tecnologias mais promissoras nesse sentido são:
Format-Preserving Encryption (FPE):
Permite criptografar dados mantendo seu formato original (por exemplo, um número de cartão de crédito ainda parece um número de cartão). Isso reduz o impacto sobre sistemas legados e mantém a compatibilidade com aplicações existentes — uma grande vantagem operacional.
Homomorphic Encryption (HE):
Uma das inovações mais promissoras, o HE permite realizar cálculos sobre dados criptografados sem precisar descriptografá-los. Essa abordagem garante que informações sensíveis nunca saiam de seu estado protegido, mesmo durante análises ou processamento em ambientes de terceiros.
Essas tecnologias representam um avanço significativo rumo à crypto-agility, um conceito que prepara as organizações para adaptar seus métodos de criptografia conforme novas ameaças e padrões surgem, tema que se conecta diretamente às tendências de segurança pós-quântica.
Criptografia e governança de dados
De acordo com o Global Cybersecurity Outlook 2025, do Fórum Econômico Mundial, 72% das organizações relataram aumento no risco cibernético nos últimos anos e boa parte desses riscos está relacionada a dados mal protegidos ou mal classificados.
Nesse cenário, a criptografia deve ser parte de uma estratégia integrada de governança de dados, conectada a soluções que ofereçam visibilidade, contexto e resposta automatizada, como os SOCs de nova geração (NG SOC).
A visão da Under Protection
Na Under Protection, tratamos a criptografia como estratégia aplicada, e não apenas tecnologia.
Nosso modelo de atuação une consultoria especializada, governança de segurança e inteligência operacional, sustentado por um modelo MSSP (Managed Security Services Provider) que garante gestão contínua, visibilidade e eficiência.
Dentro desse modelo, combinamos três frentes complementares:
- Integração com compliance e regulamentações: auxiliamos empresas a cumprir normas como LGPD e ISO 27001 de forma eficiente e sustentável.
- Alinhamento à gestão de riscos corporativos: com o apoio do NG LISA®, nossa tecnologia proprietária de avaliação de risco, que correlaciona vulnerabilidades, ativos e impacto no negócio.
- Monitoramento contínuo com NG SOC: ambiente de operação que combina automação, threat intelligence e resposta em tempo real, garantindo que a criptografia e os demais controles de segurança estejam sempre ativos dentro da estratégia de defesa.
Com essa abordagem, a Under Protection transforma a criptografia em uma ferramenta viva de proteção e governança, capaz de evoluir junto com o negócio e o cenário de ameaças.
Conclusão: segurança sem perder velocidade
Criptografia é indispensável, mas precisa ser inteligente, contextual e integrada.
Quando aplicada dentro de uma arquitetura de segurança baseada em risco, ela protege sem travar, automatiza sem perder controle e viabiliza inovação com segurança.
Na Under Protection, acreditamos que segurança deve ser transparente, eficiente e estratégica.
Por isso, unimos criptografia, compliance e inteligência operacional para proteger o que realmente importa: os dados, a reputação e o futuro do seu negócio.